domingo, 24 de maio de 2015

A IMBECILIDADE DA DÉCADA



Sem nada mais interessante para fazer numa tarde quente de domingo, estava eu de “ bobeira no face” espiando as postagens dos novos filósofos,  quando deparei-me com o pensamento político, ou melhor, partidário de um Senhor chamado Luiz Fernando Machado, provavelmente  um parlamentar que jamais apresentou um projeto de lei em beneficio da população.
O que é atribuído a ele e compartilhado na rede social por pessoas alfabetizadas, mas desprovidas de  qualquer conhecimento histórico , antropológico e sociológico e absolutamente sem nenhuma consciência de classe,  ao meu ver pode ser classificado como a maior imbecilidade da  década(pelo menos até a presente data).
Eis o que disse a besta fubana: “ O PT dividiu o Brasil entre pobres e ricos, negros e brancos, índios e produtores rurais, héteros e gays, empregados e patrões, jogou uns contra os outros, destruindo os laços de solidariedade existentes entre o povo brasileiro”.
Que um representante da elite, do auge de sua cabeça oca, pronuncie tão cômica asneira não  é surpresa, e soa inclusive como algo patético para quem tem um pouco de instrução. O enorme e preocupante problema é saber que esse tipo de impropério  encontra eco nas chamadas redes sociais, sendo compartilhado  perigosamente por jovens que até então pensavam que antes do PT, o Brasil não era dividido entre ricos e pobres, negros e brancos.
Perdoe-os senhor, eles não sabem o que compartilham.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

BACURAU

Foto: Edvanilson Oliveira

BACURAU

PARECE CORUJA,
MAS É BACURAU.
FAZ NINHO NA PEDRA
OU NO LAMAÇAL.

À NOITE É ESPERTO,
DE DIA É "LESADO".
EM CIMA DA CERCA, 
FICA DISFARÇADO

Arlene Holanda

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O VIGÉSIMO NONO DIA



O vigésimo nono dia

Texto adaptado do livro tempos Históricos, de Enzo Tiezzi, tradução de Frank Roy Cintra Ferreira e Luiz Eduardo de Lima Brandão, Ed. Nobel, São Paulo, 1988.


Lester Brow iniciou um de seus livros, o vigésimo nono dia, com uma pequena história: “ Para ensinar às crianças noções de crescimento exponencial, os professores franceses se valem de uma charada. Em uma lagoa flutua uma folha de árvore. A cada dia eu passa, o número de folhas dobra: duas no segundo dia, quatro no terceiro, oito no quarto e assim por diante. Se a lagoa fica inteiramente coberta de folhas no trigésimo dia. Quando ficou coberta pela metade?Resposta: No vigésimo nono dia”.

     A lagoa corresponde ao nosso planeta, e as folhas, a seus habitantes humanos. Talvez o plante já esteja coberta pela metade e, desta até a próxima geração, poderá se tornar repleto de gente. Aqui e ali, grupos de folhas estão se adensando junto às margens da lagoa, prenunciando o dia em que estará inteiramente coberta. O risco maior é que podemos eixar passar os sinais da  iminente saturação, ou interpretá-los de modo errôneo.

   O trigésimo dia não oferece possibilidades de sobrevivência. É preciso não chegar a ele, e o caminho é limitar o crescimento demográfico, o  consumo energético etc.., e o desenvolvimento de uma verdadeira “consciência de espécie”

    As coisas, é claro, não são simples. A questão demográfica apresenta relações complexas nos planos politico, social, econômico, biológico, etc. Tentaremos analisar alguns pontos, sem a pretensão de resolver o problema, mas procurando oferecer subsídios à pesquisa e a reflexão.

  “um suíço consome o mesmo que quarenta somalis”. Esse me parece um ponto fundamental. A resposta ao crescimento demográfico, sob o ponto de vista de um europeu, poderia ser: A Europa se aproxima do crescimento zero; o problema, portanto, é dos países od terceiro mundo.

   O Crescimento demográfico é também um problema dos países industrialmente desenvolvidos, pois estes rapinam alimentos, energia e recursos de todo o planeta.  Tem mais impacto um nascimento nos países industrialmente avançados do que quarenta nascimentos no terceiro mundo. Não tem sentido falar em crescimento demográfico e se não o vincularmos ao problema global  a produção e da distribuição dos recursos.

   ‘’Paradoxalmente, o aumento demográfico também está ligado ao grau de desenvolvimento no campo da medicina. A população cresce não apenas porque há mais nascimentos, mas também porque a  duração média da vida humana tem aumentado. A média de vida era de 3o anos em 1650, e hoje é mais de 60 anos. Isso não quer dizer, obviamente, que a ciência médica não deva ser utilizada, mas apenas que é interessante levar também esse parâmetro nas futuras previsões de crescimento populacional, programando os nascimentos e os recursos de maneira consequente





Amabis e Martho. Editora moderna, 1995, pag. 385

sábado, 14 de fevereiro de 2015

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - ÉRICO VERÍSSIMO

"Estive pensando muito na fúria com que os homens se atiram à caça do dinheiro.  É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época.  Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura.  De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?


          Quero que abras os olhos, Eugênio, que acordes enquanto é tempo.  Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha.  Não te será difícil achar, pois a página está marcada com urna tira de papel.  Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo, que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda a sua glória jamais se vestiu como um deles.

          Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu.  É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza.  Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções.  E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
          Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na "outra vida".  Há na terra um grande trabalho a realizar.   É tarefa para seres fortes, para corações corajosos.  Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis.  Temos de fazer-lhes frente.

           É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão.  Considera a vida de Jesus.  Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.

          Quando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.

          E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo.  Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar."  (carta de Olívia a Eugênio)

Fonte do texto:
Olhai os Lírios do Campo,  de  Érico
Veríssimo. 5ª edição. Editora Globo, 
RS, 1996.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O QUIXINHA E O XADÁ



O quixinha iniciou o campeonato cearense 2015 empatando com o leão terceira divisão no estádio Agenorzão.  AGENORZÃO?  Não seria... Abilhão?  Não, não, Agenorzão mesmo.    Como é público e notório,  o canarinho do sertão mais uma vez estará longe de sua torcida na disputa do certame estadual e o motivo é o de sempre, o antigo estádio dos Imigrantes, hoje Abilhão, não reúne as mínimas condições de jogo, não tendo, portanto, o aval da  Federação Cearense de Futebol.

A situação não é inédita, por isso mesmo, não é surpresa, e causa constrangimento nos apaixonados pelo Quixadá Futebol Clube  e no cidadão quixadaense em geral, sendo a situação no campo esportivo  apenas uma extensão do caos administrativo que ora impera na terra dos monólitos. A crise que vive o município vai muito além do futebol, embora sendo o esporte um fator importante para a identidade cultural de uma população, o fato de o time não está jogando em casa , embora vergonhoso não deve ser a maior preocupação das pessoas de bem do  município e Quixadá neste início de 2015, haja vista que a execução dos serviços básicos que deveriam ser ofertados pelo município simplesmente não são cumpridos, em outras palavras, o Senhor João da Sapataria não está dando conta do recado. Lastimável, porém, previsível . 

As ruas estão imundas, um verdadeiro lixão toma conta dos bairros; O nepotismo reina à solta: A incompetência beira as raias do absurdo; Secretários foram afastados pela justiça e reconduzidos ao cargo pelo prefeito; Vice prefeito  impedido pela justiça de entrar nas repartições públicas; A cidade apareceu para o país no programa profissão repórter da rede globo; Prefeito detido por algumas horas durante a Miragem I por porte ilegal de arma; MIRAGEM II; Falso médico durante três meses dando plantão na UPA( Essa merece destaque); Substituição de secretários( cerca de 80 em apenas dois anos); Pacientes do Eudásio Barroso comprando gaze e gesso nas farmácias; No campo do legislativo, os “respeitáveis” edis  enxotaram os promotores “ da casa do povo”.   Vamos parar por aqui, para não irritar alguns “ membros da imprensa”.

E ainda tem  torcedor do quixinha preocupado porque não tem dinheiro para ver o time jogar em Iguatu, São João do Jaguaribe, Horizonte ou na caxemira.  Talvez no Campeonato cearense de 2017, teremos novamente o prazer de frequentar o Abilhão. Quem sabe?